terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Terça-feira Gorda em Porto Alegre

Quem olha pela janela, não acredita que este porto seja alegre. Calçadas desertas, restaurantes fechados, trânsito inexistente. Os poucos automóveis soltos às ruas parecem se mover sozinhos à procura dos seus donos.

O rio permanece muito quieto. Não há barcos, nem pássaros. A brisa sopra nos cabelos de ninguém. Silêncio quase absoluto, só quebrado pelo som de um alarme ao longe que ressoa sem que haja alguém para ouvi-lo. É a desconhecida solidão de um feriado.

O vazio das ruas dá medo. Onde está todo mundo? A folia de uns, é o inferno de outros. Nesse lugar, que pulsa nos demais dias do ano, que emana alegria, que nunca dorme, nesses dias, vegeta. Aos fiéis cidadãos porto-alegrenses, àqueles que não se deixaram levar ou pela sedução das noites nem tão frescas do litoral, ou pela alegria dos salões de bailes do interior ou pelas tradicionais reuniões familiares, só resta caminhar sem rumo pelo deserto de concreto.

As pessoas tentam-se encontrar, se esforçam, vestem suas melhores fantasias, colocam suas máscaras e interpretam seus papéis, mas as suas tentativas são infrutíferas. Nem todos querem esse personagem. Os sentimentos no carnaval são voláteis como o próprio feriado e terminam antes mesmo da quarta-feira de cinzas. A única força que sobrevive em meio a este vazio é a luz do céu, das estrelas, refletidas nas águas do rio. Esse mesmo rio que chora sua solidão.

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