sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Bailei na Curva


Odeio chegar muito cedo nos lugares. Sou conhecida por isso aliás: a ATRASADA. Já fiz o cúmulo - morram de inveja - de deixar o homem mais lindo do mundo esperando por mim no restaurante por exatos trinta minutos... E ele esperou. Vai ver gostava mesmo de mim. Tenho mais sorte que juízo.

Um dia a gente tem que se emendar. Ontem levei um mudo, mas eloquente xingão da maior dama da cultura do Rio Grande do Sul. Nessa aversão que tenho de "varrer o salão" à espera do início do que quer que seja, cheguei às 21h10min na antessala do (Teatro) São Pedro. Pois é. Não preciso dizer que era somente eu e meia dúzia de funcionários e a Dona Eva a me olhar com um compreensível espanto. Sem mentira nenhuma, senti um daqueles holofotes que exército usa em formaturas militares ser direcionado para mim e ouvi: "o espetáculo já começou (minha filha)". Devem ter pensado: "bah, de onde saiu essa maluca?".

Depois de um longo e constrangedor silêncio, um dos guris do excelente staff do Theatro, não sei se com pena ou surpreso com a minha cara-de-pau, disse-me que eu poderia entrar. O rapaz, que, diga-se de passagem, é uma gracinha, inclusive cedeu-me um lugar na plateia (que estava sobrando, not big deal). E eu serei eternamente agradecida por isso. São nessas horas que um bom decote e um excelente par de pernas fazem a diferença (tem gente que gosta, viu, Paulo Santana). Resultado: sentei em um dos melhores lugares (a meu ver) ao preço módico de vinte reais, só acho que não poderei voltar ao TSP nos próximos meses ou anos, se é que um dia vou poder fazê-lo e encarar a Dona Eva de novo. Ou seja, bailei na curva.

P.S.: ouvir "Horizontes" com a audiência toda cantando junto e assistir finalmente a "Bailei na Curva" foi sensacional (não peguei a montagem original - não deixavam entrar bebês nos teatros em 1982 - nem a "comemorativa" de meados da década de 1990, snif, Marcos Breda). Acho que consegui entender melhor o que passava na cabeça dessa geração "Deu pra ti anos 70", agora na visão do gatinho do Júlio Conte e não na cinematográfica do Gerbase, do Giba e do Werner. Pra ver que, para contar uma boa história, não precisa de grandes cenários, nem de leituras de textos clássicos. Menos é mais mesmo. E nada como o centro à noite! Hoje vou na CCMQ ver "Dez (Quase) Amores", mas tenho que chegar antes para pegar um lugar decente, rôuli crápi...

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