terça-feira, 4 de novembro de 2014

Faltam dois dias para entrar em vigor a nova regra para a internet para celular


Lendo o saite de notícias jurídicas do Dr. Marco Antonio Birnfeld – o Espaço Vital – senti-me diretamente atingida por mais esta alteração repentina e para total surpresa dos consumidores.

“Uma amiga minha” disse já ter recebido a sua “notificação” às 13h23min do dia 29 de outubro: “lembre-se, a partir de 06/11 ao consumir toda a franquia de Internet, você precisará aguardar a renovação ou contratar um pacote adicional para voltar a navegar” (sic). Foi via sms, só faltou o whatsapp...

Fico imaginando como é que pensam os CEOs de operadoras de telefonia. Será que seus gráficos e “pizzas” não estão demonstrando bons números e precisaram fazer eles próprios o que os seus clientes não quiseram: contratar um plano de internet adicional ao que já possuem?

Sei bem como é isso, todo, é, todo mês gasto minha tímida franquia de dados e sou avisada que a velocidade cairá de ... (vou me utilizar do meu direito constitucional de permanecer calada) para ... (também não vou dizer nada, tenho vergonha do franciscano valor nominal que me é ofertado atualmente), que camarada que minha operadora é, não?

Veja, minha opinião “desabafatória” não é uma sucursal do “Complain here”, não, eu optei por esta operadora e particularmente acho que, de todas que já conheci, em Porto Alegre, esta foi a que melhor me atendeu até hoje. Todavia essa alteração, já divulgada, não contempla os nossos interesses enquanto consumidores. Evidentemente que não, está sim mais no estilo “estou avisando com antecedência” para dar tempo de:

  1. Desistir (?)
  2. Mudar de operadora;
  3. Contratar um plano de internet mais generoso;
  4. Mudar-se para uma caverna;
  5. Desistir do celular e andar com um telefone sem fio branco que nem aquela senhora engraçada de casaco de peles que perambula nos arredores da Praça da Alfândega;

Pois bem, já me aconteceu de findar o prazo de renovação do pacote de dados e – sem ter ainda inserido créditos, geralmente por preguiça ou falta de tempo, confesso – a operadora me enviar um sms, dizendo que havia tido sucesso na contratação de internet 3G por um dia por R$ 2,99 (ou R$ 1,99, não me recordo bem). Também já me aconteceu de, estreante no uso do celular inteligente, gastar todos os créditos em dois míseros dias só por ter inserido o chip em um iphone de segunda mão. Detalhe: nunca sequer usara– por vontade própria – a rede para ler um mísero email.

Fechado o parêntese de minha experiência pessoal, segundo consta, “o novo modelo de pacote de dados para a Internet, que deve ser aplicado pelas operadoras de celular - com autorização da Anatel - a partir desta semana, quando o limite do plano esgotar, a conexão será cortada. Para continuar acessando a web, o consumidor terá que adquirir mais megabytes.” (créditos ao Espaço Vital de 03/11/2014, http://www.espacovital.com.br/#8).

Ainda segundo o espaço vital, especialistas entrevistados pela jornalista Vanessa Beltrão, do saite R7, do Grupo Record, a “novidade”, que vai ao encontro dos interesses das companhias telefônicas de celular, e totalmente de encontro com a pretensão dos clientes destas mesmas empresas, “pode caracterizar uma alteração unilateral de contrato e fere o Código de Defesa do Consumidor”.

Também comungamos desta opinião e, mesmo com a autorização da Anatel (que decepção a atuação das “novas” autarquias com nomenclatura ianque), estamos de acordo que está havendo uma ofensa direta ao que preveem os artigos 39, V e X, 48, 51, X, XIII e § 1º II do CDC.

Tenho aqui comigo a propaganda a respeito de um dos planos em vigência no mercado e ele diz: “(...) para navegar à vontade com a maior cobertura 3G e sem preocupações com o saldo: quando você atinge a cota de (omitido), não paga nada a mais. Aproveite.”

Ou seja, o que fora ofertado na contratação – de que ao fim da franquia de dados a velocidade seria apenas reduzida, mas não interrompido o fornecimento de sinal – foi modificado por iniciativa da operadora sem anuência do contratante do serviço, gerando onerosidade desproporcional a uma das partes.

Quanto a esse aspecto, não é a anatel que teria que “autorizar”, e sim o contratante do plano. Eu, minha amiga, você, seu irmão ou seu vizinho teríamos que ter sido consultados se, ao fim da minha franquia de dados,:

  1. preferiríamos continuar com o estabelecido no momento da aceitação do contrato (via resposta sms com a palavra SIM);
  2. ou se gostaríamos de ficar sem internet e sermos obrigados (é obrigados, pois os smartphones não têm, até onde eu saiba, um botãozinho de “desligar a internet”, os aplicativos se conectam por si) a contratar novos planos por períodos menores em nítido prejuízo às nossas finanças pessoais.

A única razão para isso é arrecadar mais, seja para quem nada fizer e acabar aderindo a contratações adicionais diárias ou semanais (fala-se de R$ 2,99 para dois dias de uso), seja para quem resolver pactuar um novo plano, mais abrangente, com maior franquia de dados e correspondente mensalidade.

Ora, quem contrata um plano pré-pago – e isso nada tem a ver com classe social ou condição econômica – quer ter controle exato de seus gastos. Que forma mais eficiente de se evitar uma conta telefônica indigesta e um rombo orçamentário mensal que antever o que se pode gastar com telefone e internet via plano pré-pago? Algo semelhante ao velho e bom disjuntor de 15 amperes para limitar os banhos nas casas de antigamente.

Agora as operadoras conseguiram burlar – com a anuência da Anatel lamentavelmente – esse estilo de vida e educação financeira. A ver como isso vai ser encarado pela Justiça e pelos órgãos de defesa e de proteção ao consumidor.

Será que cada consumidor afetado terá que acessar individualmente os Procons ou mesmo mover a máquina judiciária por assunto de tão pouca monta economicamente falando (me corrijam se estiver enganada por favor)?

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Retorno

Depois de quase cinco anos, volto a escrever no blog, agora, em plena reformulação, novo nome e viés. Aguardem!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Me beija



O grande troféu da conquista. O apaziguador de ânimos. O toque final para a cura das crianças. O desfecho dos folhetins mais simplórios. O ponto alto das cerimônias de matrimônio. Aquilo que a aluna vítima da flecha do cupido mais deseja fazer com seu professor cinquentão. O objeto do desejo do garotinho por sua prima de cabelos longos e vestido rosa. A suprema contradição do amor platônico. Nada diz mais que a junção dos lábios num ósculo apaixonado. Nada traduz melhor um sentimento puro e verdadeiro que ser beijado por quem se ama - ou se quer amar.O beijo é o idioma do amor. Do amor idealizado, do amor romântico, do amor físico. Receber um beijo, mesmo que apenas no rosto significa que se é querido por alguém. Se se conhece uma pessoa e ela é especial, mesmo sem se saber porquê, beijar é, sem dúvida, a melhor comunicação entre duas almas.Não mata, não suja, não destrói. Dá vida, força e energia para seguir em frente e sonhar. Estando em meio à magia do amor, tudo o que se quer é beijar e ser retribuído. O toque dos lábios, de leve, sem pressa, renova qualquer espírito, afasta toda dúvida, impulsiona qualquer decisão. Beijo não se dá. Não se pede. Simplesmente acontece. Sem dor, sem culpa, sem calma. So... kiss me!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Just my luck

Ando tão azarada que não dá para dizer meio tem que ser inteira mesmo. Essa nuvezinha acinzentada estacionou em cima da minha cabeça há uns dois meses. Tudo começou com uma maluca dando ré na porta do meu carro bem quando eu entrava em um estacionamento. Como se não bastasse, a "esperta" até hoje duvida que tenha batido em mim. Dúvida possível, de fato, afinal de contas, os automóveis modernos andam de lado...

A próxima desventura dessa série foi a súbida quebra do pára-brisa em plena BR 116. Ouvi um barulho e simplesmente o vidro estava com um estilhaço. Pelo menos descobri para que servem aqueles adesivinhos que vêm com os documentos do seguro.

Na volta dessa viagem, descobri que um sabiá invadira a minha casa e - com tantas opções - descaradamente utilizara logo o meu sofá como banheiro... Corri para limpar, peguei meu borrifador de água perfumada e, tcharam! A mancha ficou pior ainda! Abri a tampa, cheirei e veio a constantação, havia água sanitária misturada no restante do líquido. Essa vou agradecer para a faxineira... E o pior, a mancha feita pelo sabiá também não saiu...

No fim de semana que se seguiu, tive a brilhante ideia de estacionar meu auto em uma determinada rua da cidade e sair para passear a pé, coisa que amo fazer. Na volta, a surpresa: o carro estava cercado de feirantes por todos os lados. Resultado, fiquei a pé até as 21 horas, correndo o risco de receber uma multinha em casa nos próximos dias.

A maré de azar chegou ao ápice com a perda o meu tubo de álcool gel de estimação. Puxa, o meu companheiro inseparável de muitas ocasiões. Esteve comigo em tantos lugares, ele era praticamente da família e nem tinha chegado ao final. Se alguém o vir por aí, me avise.

Acho que meu trevinho de quatro folhas tirou umas férias.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Inverno


Nossa estação chegou mais uma vez.
O vento sopra e me faz sentir o teu toque em meu rosto,
Um arrepio percorre o meu corpo e tremo.
Não sinto frio porém.
Dia-a-dia, acordo e simplesmente desejo que o aroma da manhã permaneça.
E fique em minhas lembranças pelo resto da vida.
Tu me ensinaste a me ver através de teus olhos
E a ouvir pela tua boca.
Eu te fiz lembrar das coisas mais simples do mundo.
Sei que ainda duvidas de tantos acasos.
As águas hão de nos abençoar de novo.
Em uma sexta-feira qualquer.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Antes que o mundo acabe.




Depois do meu tremendo pé frio na decisão em 1998 (e todo mundo achando que a culpa foi a amarelada do Ronaldo Nazário), decidi que faria “aloka” e não assistiria ao jogo do Brasil na Copa. Afinal, não faz sentido atrapalhar a já complicada situação dos pentacampeões e sempre favoritos.
Ok, mas o que fazer na hora da partida? Eram nove da manhã e a cidade já estava um burburinho só, até parece que o jogo seria aqui. Quero ver daqui a quatro anos... Se bem que, se o mundo vai mesmo acabar em 2012, nem precisamos nos preocupar.
Passando os olhos no jornal, lembrei daquele filme novo da Ana Luiza Azevedo que está passando lá no Santander. Sensacional! E cliente paga meia, perfeito! Engraçado um cinema instalado num cofre que não tem dinheiro. Conferi no site, tem sessão às três, ou seja, dá tempo de chegar antes de as ruas fiquem desertas, não pego engarrafamento, já que todo mundo está saindo eu chegando, e na saída, a rotina do centro já teria sido retomada.
É, mas certo que esqueceram de avisar que não ia ter exibição por causa do jogo. Não tive dúvida, liguei para a bilheteria e perguntei se teria a sessão mesmo com jogo da copa. A resposta não foi das mais convincentes, porém era o que eu precisava para escapar da saia justa que é assistir a um jogo da seleção.
Não chego a odiar futebol, acho o Dunga quase genial, mas daí a ter que ficar noventa minutos (mais os acréscimos do juiz) na frente da TV fingindo que estou atenta e aflita não dá. Além do mais, nunca gostei de verde e amarelo. Adoro as duas cores. Separadas. As duas juntas só para papagaio ou canarinho mesmo.
Depois do almoço, pensei: tenho que sair logo, faltam só trinta e cinco minutos. E já vi da janela que a África do Sul é aqui. Som de vuvuzelas (quando é que as cornetas mudaram de nome que eu não vi?), gente uniformizadas por todos os lados, filas nas paradas de ônibus, pessoas apressadas, trânsito nervoso. E esse ônibus que não chega? Tenho que cuidar essa bolsa, quando chegar no centro, as pessoas estarão vazando pelas esquinas como areia em ampulheta.

terça-feira, 23 de março de 2010

Antes só que solteira desesperada.

Uma das partes mais constrangedoras de um casamento para uma jovem solteira é aquele momento após o jantar em que o mestre de cerimônias pega o microfone e anuncia: atenção, moças, a noiva vai atirar o buquê! Em tempos de relações sem compromisso, admitir que se queira casar é, no mínimo, sinal de coragem. Deixar transparecer que não se quer fazê-lo diante de olhos tão reprovadores, então, é praticamente suicídio. De qualquer sorte, independentemente do que se pensa sobre monogamia, difícil mesmo é se recusar à humilhação pública sem ofender os anfitriões que estão sim declarando publicamente sua crença nos tradicionais valores do matrimônio.

Opiniões à parte, de todos os ritos de passagem por mim conhecidos, o casamento era o que costumava me ser mais divertido. Sempre gostei dos preparativos, de reservar a roupa para a ocasião, de admirar a decoração da igreja, da marcha nupcial, da entrada dos padrinhos, das gafes dos pajens e das aias (momento de grande diversão geralmente), do nervosismo do noivo pelos atrasos na chegada da futura esposa, da emoção das mães, do olhar muitas vezes sisudo do pai da noiva, do beijo do novo casal, da hora de atirar o arroz (e das quedas dignas de gargalhadas que inevitavelmente acontecem), do ritual das fotos em meio à comilança que sucede à cerimônia.

Não posso esquecer jamais daquele muito recatado padre careca (estilo Esperidião Amim) que determinava que, na sua igreja, ao final da cerimônia, o noivo só poderia dar um inocente selinho na testa da moça. E aquele casal entusiasmado cujo beijo estalado ecoou pela capela, chocando os mais pudicos que não se contiveram e proferiram um sonoro “oh”? Digno de nota também aquele casamento em que as madrinhas, todas, sob o pretexto de grande emoção, tiveram que abandonar seus postos no altar por causa do calor assolador antes que desmaiassem e roubassem a cena dos protagonistas.

Até a adolescência, os casamentos eram a festa por excelência. E isso que não havia todos esses adereços coloridos que hoje se colocam à disposição dos convidados para dar à comemoração ares de balada. Porém, esse sentimento transformou-se em tortura na primeira vez em que fui compelida a me juntar às moças casadoiras na espera pelo buquê da noiva. O que antes me era proibido e que parecia divertidíssimo (sempre soube que as crianças sabiam ser cruéis, agora tenho certeza), passou a ser o supra-sumo da humilhação.

E quem diabos quer saber quem vai ser a próxima a se casar? Será que ninguém vê o drama dos namorados totalmente aterrorizados com a disputa de suas caras-metades pelo souvenir? Não bastasse ter que me amontoar com outras solteiras (e muitas conhecidas desesperadas para arranjar marido) ter que me esgueirar para pegar o tal buquê (que muitas vezes nem é aquele que a noiva carregou para o altar e sim um macinho sem graça de flores do campo feito “especialmente” para o momento) e correr o risco receber a pecha de solteirona era literalmente o fim.

Certa vez, já mais acostumada com o ritual e conformada, digamos, com a tradição, cheguei a pensar que ia ser a premiada da noite, mas vi o buquê, que havia sido mirado diretamente para mim, sair em slow motion das mãos da noiva, bater na viga do salão, descer quase à minha altura e passar direto por sobre a minha cabeça direto para as munhecas de uma garotinha pré-adolescente que, com muita alegria, levantou o troféu a comemorar a façanha. Não preciso nem dizer que, passados quase dez anos, a menina, hoje uma mulher feita e que, em tese, seria a próxima a casar, ainda não contraiu matrimônio. A sabedoria popular não mente.

Minha última experiência no que toca a pegar buquês foi pior. Dessa vez, apesar de sequer erguer os braços para apanhar o arremesso, de fato o prêmio tão desejado por muitas parou certinho em minhas mãos. Inacreditável. Há testemunhas disso. Mas o destino não podia deixar por menos. O problema é que o mesmo também se deu com a solteira do lado que, ao que parecia, cobiçava o buquê mais que eu.

Apesar da vontade de me livrar da nódoa de perdedora, não fiz o menor esforço para agarrá-lo. Não peguei um botão de rosa sequer, deixei o prêmio para a graciosa moça de dezesseis anos. Afinal, além de ser recompensada com uma nova fama, a de caridosa, não pegar o buquê fez com que a obrigação de ser a próxima a casar passasse longe de mim. Ufa, foi por pouco!