
Depois do meu tremendo pé frio na decisão em 1998 (e todo mundo achando que a culpa foi a amarelada do Ronaldo Nazário), decidi que faria “aloka” e não assistiria ao jogo do Brasil na Copa. Afinal, não faz sentido atrapalhar a já complicada situação dos pentacampeões e sempre favoritos.
Ok, mas o que fazer na hora da partida? Eram nove da manhã e a cidade já estava um burburinho só, até parece que o jogo seria aqui. Quero ver daqui a quatro anos... Se bem que, se o mundo vai mesmo acabar em 2012, nem precisamos nos preocupar.
Passando os olhos no jornal, lembrei daquele filme novo da Ana Luiza Azevedo que está passando lá no Santander. Sensacional! E cliente paga meia, perfeito! Engraçado um cinema instalado num cofre que não tem dinheiro. Conferi no site, tem sessão às três, ou seja, dá tempo de chegar antes de as ruas fiquem desertas, não pego engarrafamento, já que todo mundo está saindo eu chegando, e na saída, a rotina do centro já teria sido retomada.
É, mas certo que esqueceram de avisar que não ia ter exibição por causa do jogo. Não tive dúvida, liguei para a bilheteria e perguntei se teria a sessão mesmo com jogo da copa. A resposta não foi das mais convincentes, porém era o que eu precisava para escapar da saia justa que é assistir a um jogo da seleção.
Não chego a odiar futebol, acho o Dunga quase genial, mas daí a ter que ficar noventa minutos (mais os acréscimos do juiz) na frente da TV fingindo que estou atenta e aflita não dá. Além do mais, nunca gostei de verde e amarelo. Adoro as duas cores. Separadas. As duas juntas só para papagaio ou canarinho mesmo.
Depois do almoço, pensei: tenho que sair logo, faltam só trinta e cinco minutos. E já vi da janela que a África do Sul é aqui. Som de vuvuzelas (quando é que as cornetas mudaram de nome que eu não vi?), gente uniformizadas por todos os lados, filas nas paradas de ônibus, pessoas apressadas, trânsito nervoso. E esse ônibus que não chega? Tenho que cuidar essa bolsa, quando chegar no centro, as pessoas estarão vazando pelas esquinas como areia em ampulheta.